segunda-feira, 2 de agosto de 2010

CULTURA INDIGENA

A história do Brasil não tem identidade, ou a que e apresentada como oficial e cega, não consegue enxergar além do visível, em síntese a historiografia brasileira e mais do que os olhos podem ver.
A nossa história e monumento e como toda e uma mentira, basta se depara com obras como a Árvore do esquecimento de Victor Leonardi, para se ter uma idéia de como os povos nativos foram vítimas em um conflito “interétinico” movido ao sabor da ocupação do território “descoberto” para a modernidade do império português e mais tarde do império Brasileiro é republicano.

O objetivo da riqueza e da exploração em um território sem limites e pronto a ser construído foi a tela de fundo de um extermínio físico, e de forma mais cruel, ideológico, que amputou o nativo na alma, a cultura do açúcar avançou e dizimou áreas de ocupação nativa, seguido pelo ouro e pecuária e outros ainda presentes.

O nativo teve que lutar pela existência também de seu império de sentidos culturais , pois a história do homem europeu os classificaram como “os índios” transformando em uma só espécie, como se estes fossem desprovidos de diferenciações pluriculturais.Victor Leonardi lembra que “referir – se a seus membros como índios é uma atitude mental semelhante aquela que teria alguém que anulasse as particularidades culturais na Europa e na Ásia.” (Pg 279 ,1996)

Assim se deu o extermínio ideológico, o esquecimento do título À árvore do esquecimento, refere se também aos vários serem humanos habitantes deste território que no templo dos conflitos, foram vítimas de não só armas pedras e fogo, mais de doenças nunca vistas, da qual a ciência natural indígena não tinha se preparado. A idéia de índio se resvala em toda construção literária e historiográfica do início da colonização principalmente nos relatos de viagem.

Pode se notar o primórdio da ideologia do selvagem, em uma grande obra a ser indagada, A primeira história do Brasil de Pero de Magalhães Gândavo, que escreveu a obra e lançou obedecendo as concepções vigentes da origem da descoberta exótica. A riqueza da sua obra só pode ser extraída se vista pelo viés que a conduziu, basta se ater ao fato que não há fala do nativo, ele sempre e observado enquanto um diferente, exótico e até sobre natural, para compreender as concepções humanas da época do despovoamento.



Esse índio tem sempre grandes guerras uns contra os outros e assim nunca se acha neles paz nem será possível (sendo vingativos e odiosos) vedarem se entre eles estas discórdias por outra nenhuma via se não for por meio da doutrina cristã com que o os padres da companhia pouco a pouco os vão amansando como adiante direi.(2004, pag145).


Neste fragmento do livro nota se como há um forte interesse que mais tarde percebe- se que findou, de construir o nativo como um selvagem a moda européia.A utilização do adjetivo índio no plural denota nesta época uma generalização que como dito, excluía as diferentes culturas destes homens, Gândavo fala de nações mais não se ocupa em destacar suas diferenças.
Não e difícil antevê o peso que uma obra como esta teve para a mentalidade da época, mesmo sendo publicada anos depois e ter sido relegada a um esquecimento quem sabe proposital. Não assusta reconhecer que esta construção ainda encontra sustentação na leitura de mundo presente, onde ainda não se reconhece que no Brasil não se fala apenas o português mais sim 180 línguas indígenas, por perto de 300.000 nativos, dados apresentados por Victor Leonardi, que também destaca ,a paz entre as etnias não ocorreu no Brasil devido às ações desumanas dos conceitos de civilização.
Vainfas na obra, 500 anos de despovoamento, ressalta que as transformações dos anos 40 a 50, onde a questão territorial foi revista, dando o nativo o direito a reocupar territórios e as recentes reservas e demarcações físicas com base na história cultural, possível foi devido aos avanços na idéia de etnias é as mudanças de mentalidades acerca da questão:

Os trabalhos dos Villas-Boas, de Claude Levi-Strauss, de Darcy Ribeiro e tantos outros jogaram papel decisivo na repercussão política de conceitos mais ligados á “etnicidade” dos grupos indígenas, superando se pouco a pouco a noção genérica de índio, via de regra estereotipada.


E bom ressaltar que este reconhecimento político não eliminou a luta pela identidade territorial, muita ainda são os conflitos que estão segundo Ronaldo Vainfas relacionados com o processo histórico que não se cala em papel e leis. Todas as obras citadas neste artigo ainda esta restrita ao universo acadêmico, e mesmo assim a nem todos, pois vale lembra que os mesmos foram disponibilizados na quase dádiva da disciplina cultura indígena do curso de história 8ª período da Universidade do Estado da Bahia -UNEB, sendo possível mesmo na instituição encontras desvios de entendimento da questão enquanto a outros cursos.
Realidade não apenas comum ao campus, mais às diversas instâncias do saber pelo país, tal como ilustrado no artigo veiculado no jornal do Brasil 11/09/08 de autoria de uma graduada em sociologia e política e administração pública pela universidade federal de Mina Gerais, especialista em ciências política, Maria Lúcia Victor Barbosa, que ao longo do texto descarta a possibilidade da etnogêneses, termo cunhado por Miguel Alberto Bartorlloné para dignar os diferentes processos de vida dos grupos sociais.
No artigo publicado no editorial do jornal do Brasil, a autora nega haver uma preservação da cultura indígena, citando exemplo o uso de arma de fogo para caçar animais para uma tradicional refeição, como se o fato de utilizarem novos meios como barco a motor já os desqualifica quanto à defendida tradição.Bartoloné em as etnogêneses: velhos atores e novos papeis no cenário cultural e político, lembra:
Talvez se possa concluir assinalando que a etnogeneses para além de todos os fenômenos já exposto, destaca o dinamismo inerente ás estruturas sociais, uma vez que tais estruturas não atuam sobre agentes passivos, mais sobre sujeitos ativos, capaz de modificar de acordo com seus interesses contextualizados.(pag21).

Por fim a historiografia brasileira não tem uma identidade nativa, ainda há resistências sobre suas intencionalidades. Ainda serve ao poder cada vez mais invisível em suas maravilhas urbanas e modernas, para a história a cultura indígena ainda estar em estradas tortuosas, onde todas as luzes que nos guiam nos cegam.

4 comentários:

  1. A historiografia brasileira muito tem a explorar a história do nativo indígena, principalmente no que se refere as pesquisas feitas pelos próprios nativos, sem a interferência interpretativa do visitante. Contudo, acredito que as luzes que nos cegavam no passado, hoje ilumina os caminhos para se construir uma historiografia pautada na identidade nativa.

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  2. Realmente a historiografia brasileira tratava os nativos como sem cultura desprovidos de qualquer lei, somente os europeus eram civilizados. Acredito que hoje a historiografia tem explorado a cultura indígena e com o auxilio dos próprios nativos na construção da sua história isso vem mudando.

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  3. É importante ressaltar a indiferença pela qual os nativos pasaram sendo tratados como simples coisas...

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  4. A cultura indigena, ainda hoje é muito maltrada, deixada em segundo plano, sabemos que existem muitas pesquisas a cerca deste povo, que muitos nos tem a falar. É certo dizer que muito coisa mudou, mas há muito por fazer. Este povo é parte essencial da nossa história. São eles os verdeiros donos desta terra. Valeu pelo texto.

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